A poesia de Tamara Chagas
Uma mulher
Só não repare a bagunça...
Minha casa está em obras,
A fundação está suspensa,
E o terreiro, apenas semeado.
Sou uma mulher inacabada.
Uma mulher II
Apagar dançando é impossível.
A bailarina cai de bruços no amanhã.
Eu sou de fábrica quebradiça:
Uma colcha-trouxa remendada.
Outra mulher
Soldei a vida com os olhos abertos.
Abertos e sem acetato.
Pude remediar o inexistente,
O ar que respiro, fuligem e prata.
Vulnerabilidade
Miserável como porcelana,
Que não sabe doar
Sem se despedaçar.
Da capo
Um sonho distante
sobre como dobrar o tempo.
Tamara Chagas é historiadora da arte, poeta e artista neurodivergente. Formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde também cursou Mestrado em Artes e Doutorado em História. Graduou-se em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade Vila Velha. Atualmente, realiza seu pós-doutoramento na UFES, com bolsa FAPES. É autora dos livros de poesia “De volta ao infinito ritornelo” (Mondru, Goiânia, 2025) e “Ariadne na Ilha de Naxos” (Versiprosa, São Paulo, 2023). Alguns de seus poemas já foram publicados em coletâneas e revistas literárias.
