12 de agosto de 2014

2 poemas de Manuella Bahls

Errado mesmo

Por tudo aquilo que se almeja
[Dá-lhe um gole na cerveja]
Seja qual for seu caminho
[Por um pouco mais de vinho]

O que quero é vida de paz, tranquila
[Abraçada com tequila]

Da minha vida ser comandante
[Com um pouco de espumante]

Se é capricho ou se é pirraça
[Desce um gole de cachaça]

Isso não é pra qualquer um
[Mesmo com uma dose de rum]

Talvez não pra você, talvez nem pra mim
[Ou talvez para nós, com um bom gim]

Porque esse crime não tem autor nem réu
[Mas com uma dose de hidromel]

O errado mesmo não é beber demais
Mas sim amar de menos.

*

Singular

Em uma mão teus cabelos
Enquanto a outra brinca em tuas costas
Nas tuas mãos, minha cintura
Que encaixa na curva da tua palma
No meu rosto tua barba
Que arranha a pele e esculpe o desejo
Aos teus ouvidos minha respiração
Embalada na harmonia dos teus sons
Nos teus olhos ternura
E quando batem nos meus, sossego
Na minha boca a tua
E em nossos corpos, singular
Sem pluralidades
Sem pressa.