Pesquisa aponta erros e dificuldades na produção de fichas catalográficas no Brasil
Uma pesquisa realizada entre agosto e outubro de 2026 revela algumas das dificuldades enfrentadas por editoras e bibliotecários na elaboração de fichas catalográficas no Brasil. O levantamento, intitulado A ficha catalográfica no Brasil, reuniu 228 respostas e investigou custos, prazos e problemas relacionados a uma das etapas técnicas da produção de livros.
Conduzido de forma independente por João Mois e Ana Carolina Ribeiro Mois, bibliotecária registrada no Conselho Regional de Biblioteconomia, o estudo ouviu 56 editoras, 153 bibliotecários e 16 prestadores de serviços editoriais. A pesquisa foi realizada entre 1º de agosto e 21 de outubro e contou com participantes de 20 estados e do Distrito Federal.
Entre as editoras participantes, 17 das 53 que responderam à pergunta sobre erros afirmaram ter precisado refazer ao menos uma ficha catalográfica no último ano. Em outra questão, 10 das 56 editoras relataram que algum livro ficou parado por falta de documentação.
Embora o custo seja um dos aspectos investigados, os resultados indicam que essa não é necessariamente a principal preocupação das editoras. Apenas três das 56 participantes escolheram pagar menos como a melhoria mais importante no processo. Entre aquelas que apontaram mudanças, apareceram demandas por maior rapidez, segurança das informações e facilidade na contratação ou comunicação com os profissionais responsáveis.
Os desafios de uma etapa pouco discutida
A ficha catalográfica reúne informações bibliográficas que permitem identificar e classificar uma publicação. Sua elaboração envolve conhecimentos técnicos de Biblioteconomia e integra os procedimentos de organização e circulação dos livros.
Segundo o estudo, metade das editoras participantes realiza esse trabalho internamente, enquanto a outra metade recorre a profissionais externos ou à Câmara Brasileira do Livro (CBL). Entre as 26 editoras que informaram pagar pelo serviço, 23 desembolsam até R$ 60 por ficha. Já em relação aos prazos, 45 das 53 editoras que responderam à pergunta afirmaram receber o documento em até três dias.
Do lado dos bibliotecários, a pesquisa aponta que a elaboração de uma ficha simples não costuma ser a etapa mais demorada. Entre os 97 profissionais que responderam à questão, 63 estimaram concluir esse trabalho em até meia hora. A obtenção das informações necessárias junto aos clientes, entretanto, foi apontada por 51 profissionais como uma das atividades que mais consomem tempo, seguida pela classificação do conteúdo, mencionada por 47.
Outro aspecto observado diz respeito à remuneração. Entre 87 respostas, a mediana do valor mínimo que os bibliotecários aceitariam receber por uma ficha foi de R$ 50, com metade dos valores informados situada entre R$ 40 e R$ 70. O levantamento também identificou dificuldades para encontrar clientes e estabelecer referências de preço. Entre os 56 bibliotecários que nunca haviam produzido fichas para terceiros e explicaram os motivos, 38 mencionaram a falta de clientes.
A pesquisa também chama atenção para o uso de metadados, informações essenciais para a identificação e a comercialização de livros nos ambientes digitais. Das 55 editoras que responderam à pergunta, 31 afirmaram não utilizar cadastro de metadados e seis disseram desconhecer o conceito. Entre as 29 editoras que verificaram as informações de seus livros em livrarias online, dez já encontraram dados incorretos.
Os resultados ajudam a observar como atividades técnicas, muitas vezes pouco visíveis para os leitores, fazem parte de um conjunto de processos que envolve editoras, bibliotecários e prestadores de serviços. A qualidade das informações, a comunicação entre profissionais e a organização dos procedimentos editoriais aparecem como questões relevantes para o funcionamento dessa cadeia.
Os responsáveis pelo levantamento ressaltam que os resultados não representam todo o mercado editorial brasileiro. A participação foi voluntária, com concentração de respostas em São Paulo e entre editoras universitárias, que correspondem a 37 das 56 editoras participantes. Ainda assim, a pesquisa oferece um panorama das experiências relatadas por diferentes profissionais e abre espaço para novas discussões sobre a organização do trabalho editorial.
O estudo completo, com gráficos, respostas e informações metodológicas, está disponível gratuitamente.


