4 de setembro de 2020

A natureza suína

Nos últimos tempos, eu o olhava e não o reconhecia. Os bons modos desapareciam ou eram encenados com desgosto. Não falava grunhindo. Quando grunhia era um grunhido artificial, forçado. Na hora do almoço, enfiava a cara na tigela com nojinho. Uma vez chegou à mesa com talheres, não sei onde os conseguiu, provavelmente no mercado negro ou em restaurantes clandestinos. O garfo e a faca brilhavam em suas mãos. Só faltava o cretino usar guardanapo e prato em vez de tigela. A cena interrompeu a comilança. Olhamos para ele impactados: eu, Maria e nossos vinte e cinco leitões ao redor da mesa.

Não havia a menor chance de eu aceitar um disparate desses: filho meu não iria usar talheres na hora sagrada. Arranquei aquela merda de suas mãos e lhe dei uns bons tabefes. Admito que exagerei na força e me senti um tanto dolorido depois. Carlos encheu os olhos de lágrima, e reagi com repulsa: meu Deus, um porco chorão, o que fizemos pra merecer isso? Nem guincho de porco sabia dar, um choro soluçante e esquisito. Não terminou de comer. Cuspiu uma gosma de arroz e sangue na tigela e se levantou. O caçula riu, chamou-o de homenzinho, os irmãos acharam graça, ameacei lhes dar uma surra também: não quero ouvir essa palavra nesta casa, respeitem seu irmão, ordenei, e todos se calaram.

Maria tocou sua pata esquerda em mim e me pediu calma. Tirei-a com um sujigão: cala a boca, porca, se ele tá desse jeito hoje, a culpa é sua.

“Deste jeito como, Severino?”

“Você sabe.”

Eu tinha uma dificuldade incrível de dormir nesse período. Ficava me perguntando onde eu tinha errado e se haveria tempo de desviá-lo do mau caminho. Carlos viera ao mundo forte, saudável, mas deslocado de qualquer ninhada, quem sabe não estaria aí o sinal? Veio sozinho, teve todas as tetas da mãe para si, mas repito, nascera absolutamente normal. Nem prematuro nem tardio, gestação de cento e doze dias. Família Suidae, com a graça de Deus, dedinhos revestidos de cascos, cabeça e orelhas triangulares, pele rosada e focinho mole, um bebê comum. Com o tempo, vieram os dentes, bonitos e eficazes – nasceram direitinho, todos os quarenta e quatro – e o rabicho se encaracolou, dando duas voltas certinhas: herdara o rabo do pai!

Não se tratava, nunca se tratou, de uma anomalia física, portanto, mas de um problema de comportamento, uma doença humanista rara, eu pensava: já que naquele tempo os bípedes humanos já tinham sido extintos da Terra para dar lugar aos bípedes de nossa espécie. Ingenuidade minha. Logo os sacerdotes começariam a alardear: os homens nunca foram extintos. Nossos antepassados falharam. Muitos homens, machos e fêmeas, viviam e se multiplicavam em nosso território: seus pensamentos obscuros, suas utopias tacanhas, os desejos hediondos da carne vermelha. Como estavam aqui se éramos todos porcos? Se nos reconhecíamos uns aos outros nas ruas? Estariam escondidos nos subterrâneos? A resposta era mais indigesta: estavam entre nós, enrustidos em pele suína. Faltou-nos estudo, oração e vigília. Faltou-nos enxergar o óbvio. Reverendo Sui Pedro disse anteontem em seu sermão algo assim: a humanidade é uma patologia silenciosa, não exatamente física, nunca se limitou à genealogia humana, à espécie Sapiens ou ao seu parentesco ridículo com os chimpanzés, a humanidade é uma doença da alma, um desvio na jornada heroica e abençoada do porco de bem. Uma estrada que os homens desejam sem lama, molhada e escorregadia, para fluírem sem empecilhos as ideologias perversas de suas antigas civilizações.

Palavras sábias as de nosso reverendo. Não que eu concordasse de todo. O avanço da humanidade de Carlos não foi tão silencioso, quem dirá invisível. Desde o início havia sintomas. A começar do apego dele com a mãe, que Maria não cortou no ato: abraços, beijinhos no rosto, esfregão de focinhos, gestos quase humanos. Eu reprovava sempre que os via. Batia palmas e o mandava sumir e deixar a porca trabalhar em paz. Devia ter sido mais incisivo. Se eu voltasse atrás daria umas boas porradas nos dois. Mas como desconfiar? Carlinhos era um filhote, um leitãozinho aprendendo a rolar na lama do quintal, não tinha idade para saber que não é da natureza dos porcos demonstrar esse carinho patético. Os hormônios e os dias fariam dele um porco respeitável, um amante das delícias suínas. Era o caminho natural dos leitões, mesmo que alguns amadurecessem devagar.

Mas Carlos retrocedeu com o tempo. A primeira coisa que ele rejeitou foi a lama. Nem pegadas deixava na casa. Ficava olhando os irmãos de longe, isolado, colhendo flores no canto do quintal. Ele as colhia e depois as girava na pata, observando-as em todos os detalhes. Dente-de-leão era a sua favorita: gostava de soprá-la e ver os fiapos levantarem voo como farelos de polvilho.

Me incomodava o modo como olhava os insetos, borboletas, pássaros, contemplativo como se, a qualquer momento, fosse escrever arte humana. Aquilo me alarmou. No dia seguinte, dei-lhe uma enxada e juntos capinamos o quintal. Varremos e ensacamos aquelas flores detestáveis que haviam brotado sem autorização junto com o mato. Passei a encher sua rotina de tarefas domésticas, simples e aos montes, para que não ficasse inerte e ocioso daquele jeito: como se estivesse tendo pensamentos em grande quantidade, como se, Deus me livre, fosse um filhote de Homo Sapiens Filosófico, raça inferior e inútil, os primeiros homens que varremos desta terra.

Depois veio a escola. Ia bem mas se comportava mal. Boas notas e péssimas atitudes. Não conseguia manter a boca fechada. Perdi a conta de quantas vezes fomos chamados porque Carlos havia feito perguntas estranhas, fora da lista de perguntas autorizadas, ou porque, embora tivesse respondido aos testes corretamente, havia feito um rabisco na folha, desenhos improdutivos de olhos e bocas humanos, ou, ainda, porque tinha encarado de forma irônica os mestres e grunhido palavras inaudíveis que depois, quando solicitado a dizê-las em voz alta, fingia serem grunhidos naturais. Você disse alguma bravata, Leitão, repita agora, os mestres acusavam-no. Felizmente não tinham provas.

Então ouso dizer: Carlos começou a dar sinais claros da doença na escola. Não culpo o ensino. A educação no colégio onde estudou é de altíssimo nível e os mestres abordam como se deve a cultura humana. Eu mesmo estudei lá, e também o meu pai e o meu avô. Os porcos normais saem do colégio desprezando os homossapientes, jurando fidelidade e proteção às leis e aos valores da Vara Nacional. Ao menos foi assim conosco. Só falamos da humanidade nas aulas de História Biológica. O objetivo é mostrar aos leitões como abandonamos e superamos aquela espécie fraca e demos o passo decisivo em nossa evolução. Carlos, como todo subversivo, deve ter começado aí a alimentar seus germes. Conheço os mestres. Não teve nenhum estímulo. De alguma forma, a doença e o pecado já estavam nele. Um doente subversivo não pode encontrar uma proibição que já quer transgredi-la.

Outro momento decisivo: aquele estágio no museu e o trabalho posterior lá dentro como guia escolar. Quando eu soube, a notícia me agradou: uma chance de endireitar a cabeça de porco, que andava nas nuvens. Eu e Maria nos orgulhamos muito dele. Os guias recebiam treinamento militar, usavam farda e instruíam os visitantes sobre as misérias da arte humana. Era lindo ver o nosso filhote explicar o que é uma arte degenerada e como aqueles valores corromperam a sociedade humana e a levaram à queda.

No início ele parecia muito à vontade e altivo em sua função. Falava aos estudantes com espontaneidade e presença de espírito. Até se comovia nas galerias em que a Purificação estava documentada com pinturas, poesia revolucionária e material fotográfico. Nem parecia o nosso Carlos, e talvez estivesse encenando.

De uma hora para outra, tudo mudou: Carlos passou a não esboçar nenhuma emoção pelo trabalho, zero entusiasmo, até diante da obra-prima da galeria: o símbolo da Porcaria Suprema, desenhado com o sangue impuro de uma multidão, o clímax do passeio turístico. Para os visitantes, ao menos, era o clímax. Carlos chegava ali indiferente. Era só mudar do galho primata da evolução para o galho suíno que seu brilho, já bastante tênue, se apagava. Vinham as frases decoradas, uma pitada de tristeza, enquanto a euforia tomava conta do público.

“Você está com algum problema no trabalho, Carlos?” – perguntei a ele na segunda vez em que notei isso, quando saíamos do museu.

“Não, senhor. Problema nenhum. Por que você tá perguntando?”

“Você estava distante hoje.”

“É o cansaço, pai. Peço desculpas a vocês. Ando dormindo pouco.”

“Precisa ver um médico, meu filho”, disse Maria, no banco de trás.

“Estou bem, mamãe. Só preciso de uma noite de sono.”

Não engoli aquilo.

“Você gosta do seu trabalho?”

Ele se calou, os olhos na estrada. Apertou um botão, aumentou a intensidade do farol. Xingou um motoqueiro que o cortou pela direita, somente a nossa respiração pesada, oinc, oinc, no carro.

“Te fiz uma pergunta, Carlos.”

“Oi, desculpe, papai. O que você disse?”

“Deixa pra lá.”

Atribuí a mudança de temperamento ao cansaço físico e mental – suas férias estavam quase vencendo –, e ao tédio natural de realizar um trabalho repetitivo. Hoje já creio que a exposição excessiva ao lixo contaminou de vez suas ideias, desenvolvendo as larvas que já estavam nos seus olhos. É como colocar um porco sem roupa de proteção numa usina de energia nuclear, lidando diariamente com os detritos radioativos. Como não se afetar?

Então veio o ponto crítico: o domingo santo em que saímos em família para louvar o Senhor. Sentávamos no terceiro banco da segunda fileira, ocupando-o inteiramente. Carlos estava na extremidade do corredor, à esquerda de uma porta lateral do templo. Gosto de me sentar na outra ponta, de onde observo se meus leitões e minha leitoa estão fazendo tudo conforme o rito e chamo a atenção dos distraídos, se preciso for. Nessa manhã Carlos estava disperso, cheio de gestos preguiçosos, sinais da cruz retardatários e boca muda durante as falas da assembleia. Fechei a cara e acenei para ele, punho fechado. O seu irmão Juvenal o cutucou e Carlos fingiu que não era com ele. O pior aconteceu no final da cerimônia. O nosso sacerdote estava orando embaixo da cruz, suplicando perdão ao Salvador, e Carlos simplesmente começou a gargalhar. Fiz sinal de garganta cortada pra ele, o irmão estapeou-o, Maria o xingava aflita e todos ao redor já se incomodavam, interrompiam suas orações e abriam os olhos. Por fim Sui Pedro também o fez no altar e ordenou: silêncio, silêncio na casa de Deus! Levantei-me, atravessei o banco e puxei Carlos pela camisa, arrastando-o para fora da igreja.

Eu jamais tinha experimentado tamanha fúria, e olha que sou um porco de estopim curto. Levei-o pela gola da camisa até os jardins, longe do templo e da vista de todos. O doente continuava surtado, em crise de riso. Meu desejo era de matá-lo: arrancar suas tripas e fazer linguiça, transformar seu couro em torresmo, fatiar os tecidos, músculos e órgãos e jogar aos cães. Nunca tinha sido tão humilhado perante a comunidade. Ainda por cima, um membro de minha prole!

“Qual a graça, demônio?”

“Só tem porco nesta igreja. Essa é a graça.” – respondeu, chorando de rir.

Coloquei-o recostado numa jabuticabeira, respirei fundo e fiquei levemente mais calmo. Ele estava mesmo fora de si.

“Lógico que só tem porco, imbecil. O que nós somos?”

“Porco, porco, porco.”

“E qual a graça disso?”

“Um monte de porco louvando um homem pregado numa cruz. Não acha isso engraçado, papai?”

Acertei-lhe um bofetão. Ele me ofereceu a outra face, sorrindo. Fechei a pata e acertei um gancho no seu maxilar. Carlos cuspiu sangue e finalmente parou de rir.

Eu estava em choque, não sabia se continuava a surrá-lo ou se caía de joelhos em pranto: “Perdão, Senhor, perdão por este leitão pecador que não honra teu nome!”.

Quando meu corpo parou de tremer, peguei Carlos pela gola e o suspendi no ar.“Nosso Deus fez todos os porcos à sua imagem e semelhança, depois se fez porco para nos salvar. Amém?”

“Amém”, Carlos respondeu, o sangue escorrendo na camisa polo.

Coloquei-o no chão e o avisei: nunca mais eu queria ouvir aquela história. Nem qualquer risinho durante o culto. Que estivesse avisado.

 

***

Tivemos um período de trégua. Carlos aquietou-se e não voltou a me confrontar. Caiu na rotina como se aquilo não tivesse acontecido. Ou, a bem da verdade, mais fechado que antes. Pouco se comunicava no jantar, encenava grunhidos com desgosto.  Comia a lavagem e sujava o focinho com o prato já raso, só pra sair lambuzado como seus irmãos. Na vida tudo é adaptação, eu pensava comigo, um dia ele iria me agradecer.

Era bom vê-lo tentar vencer a doença, sinal de que os anticorpos combatiam a degeneração, mas em algumas semanas a luta se revelou perdida. Talvez tivesse progredido se a sua humanidade não estivesse tão avançada.

A doença alterou seu DNA, seu fenótipo mudava a olhos vistos. A metamorfose eclodiu no silêncio. Não o silêncio da boca, que era bem-vindo, o silêncio rebelde das patas. Carlos foi mudando seu jeito de andar. Ia para o quarto como se flutuasse, quase não ouvíamos seus cascos. Depois, a deformação ficou mais nítida: as patas se alongavam em calcanhares, dedos grandes e disformes, a coloração rósea desaparecia e dava lugar àquele bege de primata latino-americano, e aos poucos um rosto humano se compunha: os pelos espetados ao redor dos olhos, os pelos traçados acima deles, a cartilagem nasal cobrindo os buracos do focinho, as orelhas em queda, reposicionando-se nas laterais da cabeça, o rosto se alongando como o de um símio, a penugem crescente na cabeça tal erva daninha.

Nosso filho não era um caso isolado. Noite e dia, nos programas fixos e nos plantões de emergência, o telejornal passou a alertar a população sobre o retorno dos humanos. “Antes escondidos na pele suína, agora os homens estão saindo do armário.” A reportagem mostrava um grupo de homens e mulheres – humanos do gênero feminino – em uma manifestação pública e, em seguida, imagens do confronto com a polícia. Daí o último bloco trazia depoimentos da vara revoltada, todo mundo querendo a cabeça daquela gente e, para finalizar, as orientações do Reverendo Supremo: precisamos extirpar o mal enquanto é cedo.

Maria estava apavorada.

“O que será do nosso Carlos?”

Uma cena passava em replay dentro de mim: enquanto o pau cantava e as bombas de lacrimogênio explodiam na avenida, um poeta homem de coloração negra gritava versos em um megafone; eis aí uma imagem que eu só tinha visto em livros de História Biológica e em gravações de época. Agora havia um poeta de carne e osso entre nós: era o que faltava, em pleno auge da Era Porcina! Maria notou o meu balançar de cabeça:

“Sei o que você está pensando, Severino. Você não vai entregar o nosso filhote.”

“Carlos não é mais um filhote, Maria. Carlos não é mais um porco.”

 

***

Mesmo não participante de manifestações políticas, saraus, encontros de homossapientes de toda ordem, e ainda que tentasse levar normalmente sua vida, como um porco, os traços e trejeitos o denunciavam. Não havia nada a fazer contra a aparência adquirida, uma evidência empírica de sua condição patológica.

Juntei meus maiores leitões e o arrastamos para o quarto. Carlos berrou como um animal, o animal que de fato era, a voz aguda, sem bloqueios respiratórios, melódica. Esperneou o quanto pôde, invocou os direitos humanos e outras coisas fantasiosas, clamou pela mãe, abraçada na sala aos leitões mais novos, que a consolavam. Amarramos o infeliz na cama e colocamos uma mordaça em sua boca.

Olhei para aqueles olhos castanhos remelentos e inchados. Sua aparência era horrível. Funguei, grunhi, respirei fundo e disse:

“Faço isso pela família, Carlos. Você no meu lugar faria o mesmo.”

O governo tinha acabado de baixar um decreto, motivado pelos pronunciamentos do reverendo: isolem os doentes e chamem a polícia. Um rebanho de mais de mil humanos tinha sido recolhido nas ruas e levado ao matadouro. As autoridades foram diretas: quem esconder homossapientes será considerado culpado.

Amarramos a criatura na cama e saímos do quarto. Apesar do apetite habitual do meu chiqueiro, foi um jantar deveras triste, o mal-estar pairando sobre a mesa. Maria estava acabada. “Não é mais o nosso filho”, cochichei em seu ouvido, “é preciso seguir adiante”. Ela acenou um sim tímido com a cabeça, e isso me reconfortou.

Ainda jantávamos quando os policiais bateram a campainha. Juvenal e Antenor ameaçaram se levantar para recebê-los. Fiz um sinal com a pata direita: deixem comigo, podem continuar a refeição. Mostrei o quarto aos agentes. Puxei o trinco e abri a porta: fiquem à vontade.

Voltei para a sala e liguei a tevê no volume máximo. Sons barulhentos de mastigação, sucção, cuspes, engasgos e porcaria, nossa orquestra familiar a todo vapor. No televisor, o presidente anunciava uma nova revolução suína. Os policiais foram rápidos. Só vi de relance a maca e o saco preto atravessando a sala. O susto repentino silenciou-nos, mas logo fecharam a porta atrás de si e o jantar continuou. Desliguei a tevê e retirei da sala a cadeira vaga, que me tirava a fome.

“Amanhã vamos ao culto das sete”, anunciei. “Quero todos prontos às seis e meia. Temos muito a agradecer a Deus.”

“Amém”, eles disseram, as bocas cheias e babujadas, como tinha de ser.

 

 *

 

Eduardo Sabino é escritor e editor, autor de quatro livros de contos, entre os quais Naufrágio entre Amigos (Editora Patuá), Limbo (Amazon Kindle) e Estados Alucinatórios (Caos e Letras), do qual o conto “A natureza suína” faz parte. Recebeu, pelo conto “Sombras”, o prêmio Brasil em Prosa, organizado pela Amazon e o jornal O Globo. É um dos fundadores da Caos e Letras, editora de literatura independente localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.