28 de novembro de 2025

Desenterrar os ossos, de Priscila Branco

Ler um livro de poesia é quase sempre um mistério, pois não sabemos quem vamos encontrar ali. Eu sempre digo “quem” porque pra mim há sempre uma voz, uma sujeita ou sujeito-lírico, como gosto de chamar. As expressões que nascem por meio de versos, sejam eles sonetos ou versos livres, fazem com que eu me transporte para o lado dessa voz.

Desenterrar os ossos": o processo arqueológico e poético de Priscila Branco - JornalNota

Muito se fala que a poesia vale menos que o romance, isso porque as pessoas não têm paciência pra acompanhar essa voz, seu percurso e o que, em muitos casos, ela quer dizer sem dizer nada. No entanto, sobre este livro que aqui está em destaque quero dizer que essa voz ensina.

A poesia pode acompanhar vidas que nunca foram vividas, como a da sujeita-lírica presente em Desenterrar os ossos, de Priscila Branco, poeta com quem papeamos, eu e Isa de Oliveira, em nosso podcast. Essa tal voz, que gostaria que ouvissem, vive uma vida em um percurso que se relaciona, aparentemente, apenas com um familiar, ao mesmo tempo em que ficamos conhecendo muito da sua infância, dos seus problemas adultos e de sua velhice, sempre acompanhada por uma vontade de solidão, de sequestro, de silêncio.

O livro de Priscila Branco é um desses poucos livros em que a objetividade da poeta para a criação de um livro de poesia se concretiza no que nos diz a sujeita-lírica no livro. A contextura poética presente no livro mostra que entender a composição como um objeto estético diz muito sobre o ator de criar das e dos poetas.

Desenterrar os ossos tem tudo para ser um desses livros que nos atravessa.

Você pode assistir o papo que fizemos com a Priscila em nosso podcast aqui: