Afago e porrada: ao vivo!

por Bruno Ribeiro

Amo música ao vivo. Não aquelas pederastias que rolam em botecos e barzinhos. Ao vivo porrada, doidera, catarse, poesia pura, que te deixa no chão, refletindo ou morrendo, berra ou sangra, chora ou dá porrada em quem estiver na frente. Ao vivo transe, alma saindo dos couro, veias saltando pra fora e indo parar na fuça do vizinho, ao vivo daqueles ao vivo, vivo, bem vivo.

Vocês entenderam.

Apresentações ao vivo geralmente me influenciam muito. A minha escrita chupa influências de diversas expressões artísticas, do cinema, artes plásticas, dança, e claro, música. Da música, fora o ritmo, eu tento pegar a energia. Por isso apresentações ao vivo me pegam pela nuca e não soltam mais. Aquela energia pura e primitiva ou sutil e visceral de algumas músicas são os sinônimos do que faço na literatura.

No meu romance Febre de Enxofre, a música foi um fator decisivo na criação. Não porque um dos personagens é um DJ, mas pelo modo como eu gostaria de utilizar a linguagem no livro, como se ela fosse um elástico maleável e infinito; parágrafos longos, ritmos lisérgicos e que dedilhassem entre a poesia e a prosa, a música e o delírio.

Eu queria criar um ritmo que fizesse jus ao título. Uma febre demoníaca com parágrafos longos e pouquíssimas pausas para respiração. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi o punk rock. Depois de muita reflexão, veio não só um álbum de punk rock, mas um clássico da insanidade: o álbum Fun House da banda americana The Stooges.

Como conceber uma escritura “ao vivo”? Uma literatura potente que pudesse alcançar um nível próximo da escrita automática, mas que fosse sóbria e consciente dos seus atos? O trabalho com a linguagem do meu romance partiu dessas indagações.

Enfim, termino este texto com uma lista de 11 apresentações ao vivo que fodem bonito com a minha cabeça e me influenciam bastante. Músicas lentas, rápidas, suaves, potentes, não importa. O negócio aqui se trata é de catarse.

Coloquem os seus capacetes:

Ludovic / Desova & Nós, os milionários

Young Fathers / I Heard

Lupe de Lupe e Corpo de Baile / Homem

Uniform / Tabloid

Savages / She Will

Fagner / Mucuripe

Caetano Veloso / Eu sou neguinha

Tom Waits / Take one last look

Radiohead / Street Spirit

The Stooges / Fun House

Marc Ribot’s Ceramic Dog / Red Bully

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