A poesia de Carlos Orfeu

por Demetrios Galvão
retirado de https://goo.gl/okcO9J

Carlos Orfeu: Nasceu em Queimados. É devoto das artes, sobretudo, da literatura e  poesia. Publica em blogs pessoais, revistas e blogs literários. O poeta lançará, em breve,o  seu livro Invisíveis Cotidianos pela editora Literacidade.

 

***

 

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moldura

sépia

crua

 

na estante

sobre as janelas dos olhos

a imobilidade dos rostos

 

e o inapreensível grito

das coisas insubstituíveis

 

 

***

 

nas paredes

em despudor de silêncio

a litania do invisível

 

no cio do limo

a sinfonia do mofo

lavra

o

segredo

da

rachadura

 

 

***

 

azulejos brancos

cardumes de passos

anoitecidos

 

no canto da varanda

por onde formigas

brotam como fachos negros

 

e canibalizam o feto da chuva

na casca da cigarra morta

 

 

 

***

 

na praça

o

 

c

é

u

 

se dissolve

 

o cão

eviscera

da

língua

a chuva

fenda

feito

janela

circular

no chão

 

reflete

a altura das árvores invasivas

no trapézio

dos pássaros intangíveis

 

 

 

***

 

há nos domingos um certo tom de blues

uma sensação crônica de nada

 

uma preguiçosa e enovelada tristeza

de pensar profundidades tão fatais

que quando decidimos sair de nós

 

voltamos com os olhos ainda empoçados

de outros incuráveis domingos

 

Categorias
Poesia

Demetrios Galvão – poeta, professor universitário e historiador, com mestrado em História do Brasil (UFPI). Autor dos livros de poemas Insólito (2011), Bifurcações (2014) e do objeto poético Capsular (2015). Foi membro do coletivo poético Academia Onírica (2010/2012). atualmente é um dos editores da revista Acrobata e escreve no blog Janelas em Rotação.

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