O último coco em Forte Velho

por Roberto Menezes

Maria e Sônia dançam um coco na roda de coco. Ninguém olha pra elas. Elas pensam só nelas, nelas duas, sem ninguém ao redor, só elas. O coco vai e vem e elas pisam o coco, o coco só delas. O sábado se vai e elas contam os minutos pra dançarem juntas no mundo que elas criaram só pra elas. Sônia e Maria querem o mundo só pra elas. Cansaram disso aqui de serem Sônia e Maria casadas com homens que elas amaram até um dia desses, mas. Como a maré que tem a mania de descer um pouco mais da conta de vez em quando, o amor por esses bons homens se escorreu delas duas, caiu ali no rio, e foi indo, foi indo, até desembocar, sem ninguém dar por falta, pra sempre pela boca aberta da foz de Cabedelo.

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Na sexta antes deste sábado, Pedro desce do trem em Jacaré, exato, às cinco e meia, mais dez minutos a pé até o
rio, praia de água salobra, onde Jorge o balseiro, espera por ele, último passageiro dessa última hora antes de anoitecer. Forte Velho tá do outro lado. Vinte minutos, no mais tardar trinta, vai estar em casa. Jacaré anda triste depois que algum político fechou a festa dos bares. Agora parece que anoitece mais cedo desse lado do rio. Um jazz soturno canta pro sol. O sol vai foragido lá pro outro lado da ilha de Stuart, pra uma banda de Santa Rita que ninguém sabe que tem. Jorge é casado com Maria de Lurdes. Pedro é casado com Sônia. O casamento de Jorge faz três meses, os outros dois foram padrinhos. Jorge e Pedro se amam. São irmãos de mesmo pai, grande velho Tito, que nunca assumiu os filhos que botou na terra. Os dois nunca correram atrás dele, sabiam quem era, falavam com ele como um conhecido qualquer, agora já nem precisam disso, já que velho Tito sumiu sem deixar rastro. Aprenderam com a mãe, Luzia, que nunca precisou de um homem pra chamar de marido. Casada com o coco, como gosta de dizer. Já foi mal falada, agora é mulher admirada na comunidade, as más línguas deram o braço a torcer, tinham que dar. Luzia coqueira guerreira, superou as idas e vindas da maré da vida, criou os filhos, dois homens trabalhadores, com duas mulheres, costureiras, do lar e do coco.

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No sábado, na roda de coco, Luzia comanda a cantoria. Ela tem uma doença no pé que não deixa ela pular mais o coco. Tem nada não, dança com o coração. Canta com a alma e da alma traz pra boca uma música de tom triste, é o seu jeito de não dar confiança a esse bicho que vem no fim da tarde. A tristeza dessa mulher triste, assim como de tantas outras mulheres tristes, vem quase na hora da ave maria, quando a luz fraca do sol quase posto irradia o rio de um cinza pardo quase invisível. Um prateado de morte. Já teve um dia que Luzia quis se jogar no rio, assim como Tito, seu único homem, fez, por querer ou sem querer, ela não quer saber o motivo, quando a cachaça com umbu-cajá deu lugar a essa vadia que é a tristeza. Hoje nesse sábado na Ribeira, Luzia tem mais que tristeza, sente o agouro doce na língua, pensa que é tristeza, mas não é. Ela canta pra roda. E seus olhos tão pras noras, esse agouro diz na cara dela que essas duas que dançam nunca lhe darão um neto. Ela tem um dom de feiticeira, não se envolve mais com ritual da mata desde que teve os filhos, mas o seu dom diz que Maria e Sônia são mulheres secas. Ela sabe disso. Só mulheres secas gritam assim de fora pra dentro na hora que a zabumba bate na pele. Só mulheres secas que carregam no corpo o demônio da mata sentem o que querem dizer a caixa e a zabumba quando tocam a toada mais triste. Essas duas mulheres, Luzia sabe, tem pacto com a tristeza.

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Jorge leva o seu barco de um lado pro outro do rio, sete vezes por dia, folga o sábado e o domingo. Acorda cedo, sol clareando ainda. Na primeira leva, ele leva no barco lotado uns homens pra fábrica, e, nessa primeira volta, volta vazio. Jorge é calado. Ama o que faz, escorregar pelo rio, arrodear a ilha e chegar na outra margem. Ancora seu barquinho a motor, pega a moto e sobe pra casa, nem cinco minutos. Faz isso seis vezes, que esperem ele voltar. Vai, acelera a moto, beija Sônia. Vale a pena. Ver ela sorrir enquanto ele bebe o copo d’água, enquanto ele mija com a porta do banheiro aberta. Vale a pena até quando encontra ela irritada com alguma besteira que deu errado na costura. Até outro dia Jorge tinha medo dessa convivência. De se repetir com a mesma mulher. Jorge tentou a vida em Salvador e deu tudo errado. Voltou ano passado, deu sorte por seu tio querer se aposentar do trabalho de travessia. Jorge agora leva e traz as pessoas. Traz carne. Leva marisco. Conhece os traficantes do lado de cá e do lado lá, traz a encomenda, maconha, crack, também pó. Começo do mês sempre traz mais, quando sai o dinheiro dos aposentados e da bolsa família. Mês passado, sozinho, ele parou o barco no meio do caminho e pensou abrir um dos saquinhos e meter o dedo no pó branco pra ver o barato que dá. Mas aí pensou duas vezes, respirou fundo, gastou o olhar na imensidão de água e verde ao seu redor. Não, ele não quebraria o pacto com o tempo. Jorge é homem puro. Nunca se sentiu triste, como os tantos outros que ele embarca. Jorge pensa nisso enquanto volta só. Olha pras águas e espera que essa água continue a fluir assim, que continue eterna essa água que vem lá do Sertão. Hoje é sábado, ele folga, tem a mulher a manhã toda pra ele. Como todo sábado, lá pelo meio da tarde ele vai deixar ela ir lá pro coco dela. Ele vai cuidar de cuidar de um problema no barco. Talvez depois chamar Pedro pra assistir o futebol lá no campo de Livramento que o prefeito colocou agora refletor. E como todo sábado, pretende voltar bêbado, e, assim como o irmão, não se importa, só nesses dias de sábado, pela mulher não ter feito janta, ele assa uma carne, tanto faz tanto fez. E também não se importa, assim como o irmão, que a mulher não espere por ele na cama, na condição que ele chega, é melhor assim, é quase sempre certo que nunca dará a ela uma ereção convincente. Sábado, esse é um dos pactos que ele não precisou fazer com sua mulher, é dia de ela e a outra se embriagarem, e ele nem quer saber que tipo de cachaça faz a cabeça delas.

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Nesse sábado, dia catorze, Maria e Sônia não colocaram um pingo de cachaça na cabeça. Vestiram a camiseta verde e a saia de flor do grupo de dança. São de Forte Velho, se orgulham representar o distrito pelas redondezas. Agora esperam a hora do ônibus que vai levar elas pra apresentação. Esperaram sentadas, cada uma no seu sofá, cada uma na sua casa, uma casa do lado da outra, vendo um quadro qualquer do Caldeirão do Huck. A visão delas tava longe, bem longe do RGB da televisão. Os maridos inventaram quase agora de ir pra Lucena, ver uma peça pro barco, comprar a camisa nova do Fluminense. Desistiram do futebol. Prometeram chegar cedo. Prometeram trazer um presente. Se é que se pode trazer algo que preste lá de Lucena. Elas disseram, “tudo bem, vou gostar traz mesmo, não bebe muito, cuidado com a moto, na estrada de Fagundes tá tendo Blitz, vem por dentro de Lucena”, e todas essas coisas que eles esperaram que dissessem, que elas disseram assim, no automático, por tarem acostumadas, por gostarem de dizer. Eles se foram e elas nem olharam pra porta. Ficaram, cada uma em suas casas, com as vistas pro programa besta da televisão.

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Faz duas semanas que Sônia confessou o seu desejo pra Maria. Ela ficou calada. Só dois dias depois, quando uma fazia as unhas da outra é que Maria compartilhou que sentia a mesma coisa. Ninguém disse mais nada. Só quinta essa agora, de novo na hora de fazer as unhas, é que Sônia colocou enredo aos intentos. “Sábado esse, tem que ser, se não for nesse, a gente não faz nunca”, “Por mim tudo bem”. Nenhuma titubeou. Não tavam nervosas, não tiraram carne na hora de arrancar a cutícula. Selaram o acordo com o esmalte vermelho fogo que escolheram pra se pintarem.

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Sexta antes do sábado. Pedro, daqui de cima, no trigésimo sétimo andar de mais um arranha-céu em construção no Altiplano, se acalma e telefona pra mulher. Quase agora ele caiu daqui quando não se segurou na passagem do vão. Ninguém viu. A culpa seria dele. Não travou o gancho que prende a corda de segurança ao seu cinto. Não é de cometer desleixo, mas a cabeça dele tá bem longe hoje. E não é de hoje. De uns pra cá bateu um medo do nada de que a mulher possa estar lhe traindo. Pedro confia em Sônia, mas não entende por que de uns três meses pra cá ela tá fugindo dele na hora de dormir. A seca faz mais de mês, isso nunca aconteceu. Parou de achar graça, parou de brincar na hora do sexo. O celular demora a tocar, Pedro pensa em tanta coisa, queria ir voando e encontrar Sônia agora mesmo. Não quer brigar, só dar um abraço, como se nesse abraço fosse detectar alguma artimanha. Que seja paranoia, ele torce, mas a paranoia não deixa ele acreditar nisso. Sônia atende o celular. Ele leva dois segundos pra falar. “Pedro, o que foi? Onde tu tá?”, a mulher fala com a voz de sempre. Ela tá em Livramento. Foi comprar com Maria coisas de mulher, verdura e carne. “Comprei uma bisteca linda. Amanhã preparo pra você. Tu nunca liga, o que foi?”, “Nada não. Só deu vontade, posso não?”, “Oxi, claro que pode, ligue sempre, meu amor, você sabe que amo ouvir sua voz.”

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Se fosse por Pedro e Jorge, todo dia seria dia de bisteca. Bisteca com pimenta e cerveja. Chegar com a cachaça no juízo e botar pra assar na frigideira. Maria e Sônia sabem disso, não foram avarentas, compraram as mais bonitas no açougue da feira de Livramento, bistecas de ossos largos, com muita carne e uma capa de gordura de mais de um dedo de largura. Chegaram em casa na sexta e preparam o tempero na casa de Maria. Sal, cominho pouco, pimenta do reino e pimenta de cheiro. Também cebola e alho picado e um coentro esmagado. E antes de colocar nas bacias de plástico pra cada uma levar pra suas geladeiras, aquele pó que Sônia fez ontem de noite. Ela não contou pra amiga quais os ingredientes. Não importa, o importante é que vai fazer efeito.

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No fim da tarde do sábado, deu a hora do ônibus passar, deixaram Luciano Huck pra lá e foram dançar coco num evento de rock lá na Ribeira. Três quilômetros rio acima. Agora dançam. Dançam sem prestar atenção nos espectadores. Dançam pra si. Entre si. Luzia canta o lamento, esse som entra nos ouvidos delas feito um mantra, encobrindo todo o resto. Não importam se os olhares delas denunciam. Querem se rasgar. Espancam o chão com a mesma força que espancam a alma.

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Depois da dança teve um lanche, a maioria dos membros do grupo foi mais pra isso do que pro coco. Comer um pão com mortadela ou queijo coalho a goles de fanta amacia fácil a alma de muita gente. Sônia e Maria não quiseram comer, tavam famintas, de outro tipo de fome. Queriam voltar logo pra casa. Já é tarde, quase onze horas. O ônibus deixa elas beirando a meia-noite. As motos dos maridos já tão estacionadas. Elas nem entram em casa. Preferem seguir pelo beco que separa as duas casas. Sônia vai embaixo da lavanderia e pega uma garrafa pet de um litro. O líquido sujo que parece preto na noite sem estrelas preenche a garrafa até a borda. Ela abre e dá um gole. O negócio tem cara de ter gosto ruim e tem gosto ruim, mas ela bebe como se fosse água gelada no calor do meio dia. Maria faz o mesmo. E elas oscilam em goles até secar a garrafa. Olham uma pra outra. Primeiro gastam alguns segundos ouvindo o som da noite. Não por muito tempo. Feito meninas ansiosas, tiram as sandálias e começam a dançar e cantar. Tão longe de tudo, os maridos com certeza, não vão escutar elas. Têm a madrugada toda. E assim entram mata adentro.

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Luzia, mãe de Jorge e Pedro, é quem encontra os corpos dos quatro, na segunda-feira de oito horas da manhã. Tinha ligado desde às cinco pra Jorge e o celular só dava desligado. Luzia não se desespera quando entra na casa de Jorge. Não sai gritando feito uma doida. Engole em seco ao sentir o cheiro de morte. Os homens tão sentados no sofá. A televisão ligada no Bom Dia Brasil. Eles até parecem interessados nas novas mudanças políticas nacionais. São como estatuas assombradas, com as mesmas caras de peixe morto que viveram a vida toda. Ela vai pelo quintal e entra na outra casa. Torce pra não encontrar as mulheres no mesmo estado. Tavam mortas, sim, mas a alegria em seus rostos atestava que o fim delas foi arrebatador.

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Do quintal pra mata, uma cerca de nada, nem notam, pulam naturalmente. Não enxergam nada além dos seus vultos cruzando as árvores. Seus pés pisando em galhos, no tapete de folhas, seus olhos se abrindo e elas sentindo a força da mata. Se tocam, sem perdem, se encontram, gritam e nem sabem mais o que gritam. Rodopiam e flutuam dentro da roupa colorida. As flores da chita brilham e elevam e conectam elas por um caminho. A batida do coco na mente das duas faz pulsar a pele, quer romper a pele. Elas dançam. Acham graça. Tão cheias de graça. Vão sem pressa mais pra dentro da mata. Mais dentro, mais dentro, até chegarem na gruta das meninas. Ninguém sabe onde é esse lugar, só as mulheres, nenhum homem tocou o pé nesse lugar, nenhum homem sequer ouviu falar da existência desse lugar. Lá dentro, em cima, embaixo, pelos cantos, depois de uma passagem de pedras pontudas, tudo brilha, pedras vermelhas, púrpuras, azuis, num néon que estonteia. Lá no fundo, uma cachoeira. Nessa cachoeira a água vem do chão e chega ao céu da gruta. A água flutua no céu, peixes e crustáceos brincam feito anjos nas nuvens. Sônia e Maria tiram a roupa e mergulham no pequeno lago, seus corpos encandeados se confundem com as pedras, elas se confundem. Ali não tem Sônia, não tem Maria, são uma coisa só. Só uma coisa fosca. Irmãs, como sempre foram. Irmãs da mata. A alma delas é da mata, só tão se entregando à mata. Se entregando entre si.

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Luzia, na hora do coco, enquanto cantava, teve uma visão. Ninguém viu. Ela nem chegou a mudar o tom do seu coco. As visões são cada vez mais escassas pra velha. Desde que virou católica, evita buscar essas visões. A última, a mais clara que teve na vida, foi do seu homem, Tito, morrendo afogado. Naquele dia, Luzia ficou horas deitada na cama, travada, e vendo o corpo daquele homem ser lançado no mar e se decompor, até que a vista dela escureceu e ela não viu mais nada. Ela na época não falou isso pra ele, tinha raiva dele, não acreditava que fosse acontecer. Aquele homem com tantas mulheres. Ela queria ele só pra ela, mas não queria ser dele. Tinha raiva dele, mas raiva pior tinha de si. Quando ele morreu, veio o alívio, lembrança de defunto com o tempo vai trazendo só coisa boa. Hoje a visão que Luzia tem é outra, não vê o agora, vê um dia bem longe de hoje. Ela se vê velha, quase cem anos, sentada em sua casa, olhando de longe o rio. Dias e dias dura essa visão. As paredes com quadros vazios. Mesa e cadeira só pra ela. Sem marido, sem filho, sem nora, sem sobrinho, sem neto. Luzia olha pras moças tão moças dançando e tem raiva delas. Não sabe que terça que vem vai estar se lamentando junto aos seus caixões. Engole em seco, não diz nada, endurece o coração e acelera mais a pegada da voz.

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Sônia e Maria voltam da mata. As camisetas e as saias ensopadas delineiam seus corpos no amanhecer. Suas almas ainda tão elevadas, seus corpos já exaustos. É pouco corpo pra tanta alma. Elas sabem que os homens sempre escolhem a casa de Maria pra comer quando chegam embriagados. Comer, tomar uma coca e ver uma horinha de televisão antes de cada um ir pro seu lado, essa é rotina. Assim elas escolhem entrar na casa da outra. Sedentas e famintas, avançam cozinha adentro. Cessam a sede com a água do pote e na hora da fome, uma olha pra outra. Nem pensam duas vezes em ir na geladeira. Cada uma pega uma bisteca crua e devoram feito duas selvagens.

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Luzia encontra as duas na cozinha deitadas e abraçadas, seguram nas mãos os ossos de bisteca limpos. As roupas cobrem elas até quase o pé. Luzia percebe que os calcanhares delas tão em carne viva. Olha pra mata e só balança a cabeça. Leva uma hora pra ela organizar a cena que quer que seja vista. Busca força de onde não tem pra arrastar Maria pra casa dela e colocar na cama. Também leva pra lá o corpo pesado de Jorge. Arrasta também outro filho de volta pra casa e coloca ele na cama junto de Sônia. Passa uma vassoura em tudo. E só aí liga pra um conhecido da polícia. Vai dar na TV, vai dar no rádio, vai dar no jornal. Vão inventar uma cacetada de histórias. Vão criar mil títulos pra chamar atenção da população. Vão tentar culpar o marchante, o cara do tempero, até um possível ladrão. Mas só uma pessoa sabe o que aconteceu. Luzia sabe. Foram embora as duas noras, em direção aos mares profundos que sempre arrodearam suas cabeças. Agora não tem mais raiva, de jeito nenhum, só inveja mesmo.

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Roberto Menezes é paraibano. Nasceu em 1978. É professor da Universidade Federal da Paraíba. Faz parte do Clube do Conto da Paraíba. Tem quatro livros publicados "Pirilampos Cegos" (romance), "O Gosto Amargo de Qualquer Coisa" (romance), "Despoemas" (contos) e "Palavras que devoram lágrimas" (romance) e "Julho é um bom mês pra morrer" (romance). Foi vencedor do Prêmio José Lins do Rego (2011). É um dos criadores da FLIPOBRE.
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