18 de agosto de 2016

A poesia de Chiu Yi Chih

O LOZ é a sigla com que o artista chinês Chiu Yi Chih e o artista brasileiro Irael Luziano assinam suas obras em poesia, escultura, performance e pintura em torno da pesquisa da “Metacorporeidade”. Os três poemas/esculturas pertencem ao livro “Metacorporeidade” publicado pela Editora Córrego (2016). Suas obras se encontram no www.loz2962.com

 

 TRIGONOCÉFALO

Trigonocéfalo - técnica mista (50 x 68 x 55 cm)

Trigonocéfalo - técnica mista (50 x 68 x 55 cm)

  

catedrais de ozônio atravessam os sinuosos refluxos das suas efervescências por onde algumas pétalas fleumáticas se entredevoram sobre os cilindros medulares assim como nossos músculos são descravejados com tamanha indiferença por debaixo das placas sardônicas cuja margem de sua própria incompletude é tantas vezes ignorada que mal seríamos capazes de perseguir a desproporção das arestas de suas vastíssimas laminações quando simplesmente retornam ao nascedouro premonitório e se desentranham em suas íntimas lactescências como se nessa mesma desmesura cada película fosse sendo perfurada pela insubmissa chama de sua indisfarçável ossatura

SPHEROID

 

Spheroid - técnica mista (30 x 35 x 32 cm)

Spheroid - técnica mista (30 x 35 x 32 cm)

 

mastigarei o azul como cavalo imóvel em plena estrada pois que nada posso contra as correntezas se acaso os tetos desabarem no meio de uma conflagração de nervos quando tantas células se dilaceram nas suas sobrancelhas com as destilações daquela membrana por onde o sangue noturno do ancoradouro invade os interstícios da minha cáustica garganta enquanto outros odores adormecem com os ovários de tochas fulminadas e minha pele de libélula chora com as lágrimas do oceano no mesmo instante em que as teias violetas daquele antigo pátio se alargam sob o sórdido esplendor do abismo e um cinturão de cristal floresce atrás dos lombos de meus pensamentos

 

BIOCOSMIC

 

Biocosmic - técnica mista (50 x 40 x 25 cm)

Biocosmic - técnica mista (50 x 40 x 25 cm)

 

nessas luvas onde deslizam as levíssimas demolições de um incorruptível labirinto não vejo mais quaisquer destroços que ainda possam ser exumados com as esponjas ressecadas de obscura rugosidade mesmo se aqueles insetos que minhas mãos estraçalhariam ostensivamente ao largo do improviso de tantas ventosas jamais quisessem se esquivar por detrás das elevações de um deserto inexpugnável quando até algumas chicotadas teriam um mínimo de complacência diante do crepúsculo das insônias e pulsações se desdobrando ao inaudito de sua intensa angulosidade anelar enquanto nesse enrubescimento filamentoso meus próprios impulsos atávicos sequer seriam capazes de consumar em si mesmos a monstruosa massa incorpórea dos injuriosos e irrepreensíveis repositórios